16 Outubro, 2019

Professor Bacurau

Professores e alunos poderiam aproveitar o feriado de hoje para ver Bacurau. Se ainda não assistiram ao filme premiado no último festival de Cannes, este dia dos professores quem sabe não seja uma ocasião especial para essa aula de cinema e resistência do pernambucano Kléber de Mendonça Filho, um dos mais destacados diretores da atualidade. Alegoria do cenário político presente, Bacurau é uma cidadezinha do sertão nordestino que sumiu do mapa. O co-diretor Juliano Dornelles dedicou o prêmio de Cannes, que aliás não mereceu única linha por parte dos representantes do atual governo, aos trabalhadores da educação, da cultura e da ciência, as áreas mais afetadas pela tragédia Bolsonaro. Na pele de uma médica homossexual e com queda pelo álcool, Sônia Braga, aos 69 anos, se despe da imagem da diva que é para encarnar uma personagem pouco glamurosa que ao final traz uma lição de profunda humanidade. É arrebatadora. A hoje atriz hollywoodiana, por sua vez, dedicou a personagem da médica Domingas à vereadora Marielle Franco, executada em março do ano passado. Ela revelou ter sido inspirada por Marielle, com quem se encontrou dias antes do assassinato e foi impelida a revivê-la de alguma forma em Bacurau. Poderia também ter se inspirado nas professoras que inspiram um Brasil que está doente, mas luta e resiste.

 

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11 Outubro, 2019

Dona casmurra

Na rua Machado de Assis, descobri a existência de uma padaria chamada Capitu. Na verdade, não fui eu quem descobriu e sim a minha fisioterapeuta que mora lá perto e corre menos riscos de agredir a silhueta experimentando os pães Bentinho – que aliás nem estão no cardápio da casa. Essa é justamente a primeira falha da estratégia de marketing de um negócio que em princípio me pareceu ideia excelente: abrir uma padaria numa rua com nome de escritor e batizá-la com o de sua principal personagem. Ontem, depois de Rose ter me contado sobre a Capitu da Aclimação, esqueci que minhas pernas continuavam ainda um tanto bambas e corri até lá para só para fotografar a provável eureca do chefe dos padeiros. Por que fiz isso? Eu achava que precisava abastecer o Instagram, já que uma pessoa que conheci recentemente e passei a considerar falou que isso aqui, o Facebook, deitou ou vai deitar por terra. Sei que isso não é novidade e volta e meia alguém dá sentença de morte para essa ferramenta que ainda utilizo bastante. Eu quase não posto nada lá no Instagram. Primeiro porque sou péssima fotógrafa e toda vez que olho uma foto que não seja do Sebastião Salgado meus olhos são imediatamente atraídos para a legenda. Mas lá estava eu empenhada em fotografar qualquer coisa que valesse a sola gasta do tênis, claro que tomando o cuidado para não flopar (de flopping), isto é, afogar o amigo com um excesso de imagens que não fazem o menor sentido para ele, só para mim, como alertou a minha nova estagiária, a Giovanna, com o frescor da sabedoria de seus 20 anos. Eu nem ia flopar nada, oras. Só fui lá e fotografei a fachada da padaria Capitu e pronto – que para piorar era muito feia e óbvia, não tendo nada da dissimulação da musa, ou antimusa de olhar cigano e oblíquo que enloqueceu o pobre Bento. Esse mesmo que nem para nome de pão se prestou ao homônimo negócio. Fiquei mais decepcionada do que propriamente casmurra. Tirei a foto com um celular com a tela trincada pelo gato e lancei a imagem meio desfocada mesmo no Instagram. Fiz uma legenda curtinha mais ou menos assim: “Achei a ideia ótima, embora os pães não parecessem tão atraentes a ponto de comer com os olhos, nem que fossem olhos de ressaca”. Nem voltei lá para contar quantas pessoas viram a foto-legenda, acredito que muito poucas. O jeito é valorizar esse novo e longo texto, uma variação prolixa sobre o mesmo tema, o rejeitado “textão” das redes sociais, apagando a minha foto e reproduzindo, agora sim, a música Capitu, que considero uma obra-prima do Luiz Tatit. É da safra das antiguinhas, em que Ná Ozzetti dá de bandeja um show de beleza e elegância, bem mais à altura de um Machado. Não vou responder se entrei na padaria para comer um ou outro pão que espiei, e não revelo se desejei, para ficar em sintonia com o mistério do Dom Casmurro. Aquele que, numa linguagem de rede social, se reduz à dúvida de ter ou não rolado a traição suspeita por Bentinho. Mas como isso está longe de ser literatura, adianto que pretendo voltar à padaria Capitu numa dessas tardes, nem que seja para tomar um café, conversar amenidades com gosto de bolinho anônimo e trair. O regime, naturalmente.

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01 Outubro, 2019

A política da gosma alucilógica

Bolsonaro quer uma imprensa para chamar de sua, ou seja, se não for para calar, que seja para adular. Caso contrário, não dará mais entrevistas, resmungou ontem no Palácio da Alvorada, contrariado com a cobertura jornalística da sua vexaminosa passagem na ONU. Entenda-se: a culpa da péssima imagem do Brasil lá fora é todinha dos jornalistas brasileiros. Segundo a lógica, melhor dizendo, alucilógica, do deputado Eduardo Bolsonaro, em entrevista ao Correio Braziliense, os correspondentes acabam influenciando seus colegas estrangeiros a difamar o pobre e santo pai. “O Brasil elegeu um conservador sem ter uma imprensa conservadora de grande porte”, justificou o deputado, em seu delírio simplificador. Hoje na Folha, esse jornaleco comunista, leio sobre o almejado conservadorismo dos Bolsonaros, na ótima definição de Ranier Bragon: uma mais profunda “gosma”. “Gosma que une preconceito, fanatismo, obscuratismo, antiintelectualismo, delírio e tantas outras adoráveis facetas da humanidade”, Bragon acerta no carimbo. É dentro desta gigantesca meleca que cabe um presidente ir aos Estados Unidos para declamar um “I love you” para outro, representando seus eleitores (e perdoe-se aqui só um pouco os arrependidos) como os palhaços que sempre foram. Tamos bem.

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29 Setembro, 2019

Todos artistas e cientistas permanecem crianças

Toda criança nasce cientista. Essa é uma premissa de um dos capítulos de O caldeirão azul, do físico Marcelo Gleiser, que neste ano ganhou o Prêmio Templeton, considerado o Nobel da espiritualidade. Achei este livro ao acaso, quando procurava um presente para Antonio Carlos Jordani, amigo com humor espetacular e que teve a felicidade de não desaprender a arte de brincar. Acho que como eu, Tonho, que continua morando à beira do rio da sua infância, o Jacaré, nunca deixou de ser criança. “A natureza se abre como um livro quando a curiosidade pode voar livremente”, escreve Gleiser, para quem as crianças são os Peter Pan da sociedade e sempre fazem as melhores perguntas para pais que muitas vezes se irritam por não saber a resposta, ter preguiça de procurá-la ou mesmo deixar de dividir e compartilhar seu espanto diante de questões que permanecerão inexplicáveis. Para uma criança, o mundo é um grande laboratório. Até os adultos chegarem com aqueles dizeres lembrados no livro, “não mexe nisso! Cuidado, vai quebrar! Você vai se queimar. Vai se molhar! Vai levar um choque! Vai ser picado!” Pai de cinco filhos, Gleiser nota que existe uma enorme diferença entre educar uma criança a ter cuidado e reprimir seus instintos de exploração e sua relação lúdica com o mundo. Ontem fez um mês que Tonho perdeu sua mãe, um ser humano extraordinário que transmitiu aos seus também cinco filhos uma educação para a liberdade, o conhecimento, a arte e a cultura. Tonho não se tornou um cientista, mas é um artista, nada mais do que uma variação de grau da primeira categoria. Ele vive inventando, mexendo aqui e ali, plantando, experimentando. Arquiteto que morou em Viena, agora comanda o sítio deixado pelos pais, o lindo e encantado Cabreúva. Visitar a sua casa no Cabreúva, povoada de peças surpreendentes, mobiliários inusitados, muita arte e varanda com estrelas que não param de piscar naquele que Benedito Calixto considerou o céu mais bonito do Brasil, o de Brotas, é como entrar num mundo de sonhos em que a aventura se completa com um mergulho no enorme lago. Foi ali que passei o último São João e pulei a fogueira com as pernas ainda um pouco estropiadas. Foi lá que me despedi de dona Ermínia, a mãe de Tonho (clicado nesta foto por Roberta Fortunato), que se foi poucos dias antes de completar 93 anos. A última imagem que tenho dela é a de uma mulher vibrante, de olhos cheios de brilho e batendo palmas enquanto eu, mancando, tentava acompanhar a deliciosamente desorganizada quadrilha puxada pela amiga Celia Maria Jordani, a doce e carismática irmã do Tonho. Crianças todos nós e dona Ermínia também. Graças a Deus e aos deuses da natureza, da alegria e do mistério. Estamos todos unidos aqui.

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27 Agosto, 2019

Dona Ermínia, existirmos, a que será que se destina?

Na última conversa que tive há pouco mais de um mês com dona Ermínia, que se foi hoje, ela revelou que o programa que mais gostava de ver na televisão brasileira era o do Serginho Groisman. Aos 92 anos, ela continuava sendo um ser das altas horas. Curiosa, atualizada política e culturalmente, dona Ermínia sempre foi ligada à música. “Melhor cantar para não chorar neste momento político”, então comparou, sentada na poltrona dileta da sala, em frente à tevê, ao que prontamente concordei. Não sou capaz de lembrar quem cantava na tela da Globo naquela noite de sábado. Recordo que a música preenchia o ambiente tão amorosamente como a sopinha de legumes servida pela filha Mila Jordani. “Essa menina não para em casa, um dia é volei; no outro, dança”, comentava sobre Mila. “Mas a vida é assim mesmo, para ser boa precisa de movimento”, comemorava. Dona Ermínia dividia com a outra filha, a amiga do meu coração Celia Maria Jordani, a paixão pela música. Por isso, agora que soube desta triste notícia (eu a admirava e nutria profunda ternura por ela), imediatamente me vieram à cabeça a canção “Cajuína”, de Caetano Veloso, e o programa do Serginho, que no link abaixo reproduzo, com uma entrevista com o autor daquela pequena obra-prima que agora me faz lembrar da conterrânea Ermínia Destefani Jordani. Caetano canta a fragilidade da vida e o acolhimento desta mesma vida diante de uma perda irreparável. Sabe-se que Torquato Neto, que inspirou “Cajuína”, suicidou-se. Sem julgá-lo, o seu pai, adepto do espiritismo, consolou Caetano com uma rosa e um copo de cajuína, bebida típica lá em Teresina. Dona Ermínia sempre celebrou a vida, essa matéria-prima, como diz a canção, tão fina, às vezes infeliz e muito bela. Quanto privilégio ter dividido a brevíssima existência com dona Ermínia, seus filhos maravilhosos, entre eles, Antonio Carlos Jordani, o Tonho, que não foi meu amigo de infância, mas se tornou tão próximo e imprescindível na infância da vida adulta. Todos tornaram-se um pouco a minha família. Na voz da Célia, ouvi pela primeira vez a música “Cajuína”. Eu tinha 13 anos, prestei muita atenção na linda melodia cantarolada pela igualmente linda voz da minha amiga, mas não entendi a letra. Ouvindo de novo, enquanto espero o trem no metrô de Sampa, numa noite fria e poluída longe da nossa terra natal, Brotas, acho que Deus assoprou mais uma vez essa mesma canção para chamar dona Ermínia para perto. “Existirmos, a que será que se destina?” Quem a conheceu, sabe a resposta.

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13 Agosto, 2019

Na última vez que a vi, num final de tarde em Ipanema, Clarice era apenas um sonho e um nome de escritora. Agora que esbarro novamente com ela na Avenida Paulista, também no final de um dia, encontro o sonho da Clarice materializado numa adorável garotinha que nesta foto sorri com os olhos. Estamos numa manifestação de estudantes, eu e os primos Álvaro Saad Peixoto e Patricia, mãe de Clarice, a garota que nasceu de uma esperança e hoje representa a espera que todos cultivamos em relação ao futuro de uma educação pública de qualidade neste país que anda sorrindo pouco. Que belo conhecer uma criança nesta hora mágica. “A esperança é este instante”, uma frase de Clarice Lispector.

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27 de Julho, 2019

4 PEGADAS: Quando estamos impossibilitados de viajar, o gostoso é embarcar na viagem do amigo recém-chegado de alguma aventura: fotos, histórias, algum segredo para revelar? Fazemos isso também quando estamos numa posição inversa e, na volta, enchemos o amigo com mimos e novidades. Mas o melhor, mesmo, é embarcar junto, lado a lado, com quem você gosta e confia, e então a viagem se tornará um ato de risonho compartilhamento. E, ah, as risadas: como amigos riem quando viajam juntos. Äs vezes, o destino é o que menos importa. Já estou sentindo falta do pé na estrada, do rastro de pelo menos quatro pegadas (eu acho 4 o número ideal) de quem se habituou a não andar só neste mundo.

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29 de Maio, 2019

Nesses tempos de papel perecível, ainda mantenho uma estranha mania de recortar trechos de jornais. Hoje voltei para casa e tirei da carteira um recorte de uma frase do escritor nigeriano Ben Okri. Enquanto tantos lutam pelo sucesso, ele diz:

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17 de Maio, 2019

Uma pistola na língua

Dando outra de valentão no Velho Oeste, o matador agora agride uma repórter e depois faz desfilar sua ofensa num tuíte. Tudo como se fosse bravata de moleque. É cada vez mais constrangedora a performance bélica deste chefe de Estado que foi para o Texas agredir a imprensa e xingar de imbecis e idiotas os cidadãos de seu país que defendem a educação. Em tempo, a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo emitiu a seguinte nota para criticar a exposição da repórter Marina Dias, da Folha, a ofensas e ameaças de militantes virtuais: “Ao estimular um ambiente de confronto e intimidação contra jornalistas, Bolsonaro se afasta do compromisso democrático que assumiu ao tomar posse”. O tom foi até brando para a gravidade do episódio. Na Folha, não mereceu chamada de capa. A banalização da violência preocupa de tal modo que seria interessante uma campanha também para o desarmamento verbal. A língua mata.

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13 de Maio, 2019

Dos escravos de ontem aos riscos de hoje

Há efemérides que fazem corar. Princesa Isabel nunca foi santa e no dia de hoje, há 131 anos, ela tinha outras coisas na cabeça, além da abolição da escravatura, quando assinou a Lei Áurea. Como por exemplo o medo de que a Inglaterra não reconhecesse a Independência, caso o tráfico negreiro continuasse. Ao convidar pelo twitter parlamentares e amigos para homenagear a princesa hoje vista até como anti-abolicionista, os deputados federais Eduardo Bolsonaro e Luis Phillipe de Orleans e Bragança dão demonstrações de ignorância e insultam as lideranças do movimento negro que retiraram o 13 de maio do calendário de comemorações por considerar a história de maus tratos aos ex-escravos que se sucedeu e que até hoje marca a vida dos afrodescendentes neste país. Neste 13 de maio, o hoje presidente também anunciou, sempre pelo veículo oficial do twitter, que pretende reduzir em até 90% as normas de segurança no trabalho. Escolheu uma forte data para marcar mais esse retrocesso. Quem sabe algum dia celebrada também como uma efeméride da pátria.

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03 de Maio, 2019

Ah, o torpor das drogas

Estudei em duas universidades consideradas de esquerda e nunca vi ninguém pelado no campus. Em uma delas, havia uma figura conhecida que às vezes nadava sem a parte de cima do biquini para espanto de poucos funcionários que logo a esqueciam. Nos tempos de estudante, sempre fui chegada a uma balbúrdia, se assim podiam ser classificadas as festas animadas e dançantes nas casas de amigos vestidos ou mesmo mal vestidos por falta de grana e compromisso com as correções da indumentária. Ninguém gostava de ser careta e, se de vez em quando pintava um baseado, alguns davam suas baforadas preferencialmente sem se fidelizar à erva nem à droga nenhuma. Claro, acontece. Muitos adoeceram e continuam adoecendo, baseados em que você pode fazer quase tudo, passaram mesmo do limite, envolveram-se com riscos maiores, até por desconhecer qual seria aquele limite. Mas a juventude é um período experimental. E o melhor é que esse espírito experimentalista permaneça responsavelmente para sempre a fim de não sucumbirmos ao risco de nos tornarmos adultos aborrecidos, engessados e sem curiosidade pela vida. Melhor que essa curiosidade leve a uma constante vontade de estudar, aprender, questionar, dialogar – hábitos tão desencorajados por esse governo tacanho que se apresenta. Não são apenas risíveis, mas nefastos e insanos, os argumentos agora usados pelo ministro da educação para punir três universidades federais, por sinal presentes no ranking das 20 melhores do país. O que dizer da canetada presidenciável para estender o bloqueio de recursos a todas as demais? No mesmo dia em que anunciou o corte das verbas, o presidente tratou de realizar mais um de seus eventos ridículos, reforçando outra das expressões do repertório retaliativo do ministro Abraham Weintraub. Ele condecorou o seu guru Olavo de Carvalho no mais alto grau da Ordem de Rio Branco. Oh, quanta virtude cívica. Além de tuitar com uma linguagem de quem passou ao largo dos bons estudos, punir com recalque as universidades pela promoção das imaginárias balbúrdias, eventos ridículos e presença de alunos pelados, aquele sujeito adora mesmo distribuir medalhinhas. Dando de ombros para as normas do Itamaraty, ainda aproveitou a condecoração do astrólogo para admitir mais de três dezenas de personalidades bolsonaristas à Ordem que homenageia o patrono da diplomacia brasileira. Entre entre eles, pasmem, os filhos Flavio e Eduardo. Também os ministros Paulo Guedes, Sergio Moro e os governadores João Doria, Wilson Witzel e Romeu Zema. Ah, o torpor das drogas. Esse governo já é uma bem pesada.

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01 de Maio, 2019

Burrice isonômica

Criticou, levou. Ao ser questionado sobre o corte de verbas de três universidades por motivos ideológicos, Bonossauro resolveu estender o bloqueio de 30% dos recursos a todas elas. Afinal, se o seu ministério pode prejudicar apenas três delas, por que não estragar logo todas? É assim que raciocina o todo-poderoso. Neste Dia do Trabalho, ele deve estar culpando o desemprego jamais visto neste país ao, só para usar uma de suas palavras para se referir ao tema, “capricho” de estudar. Mas sem tanta filosofia, já que ela (assim como a sociologia) é hoje carta fora do baralho.

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18 de Abril, 2019

O voo da coruja

Coruja como eu, a fantástica Cecilia Thompson voou de vez na madrugada para esbanjar sabedoria em outras nuvens. Minha colega por muitos anos na redação do Estadão, continuamos nos divertindo pelo Facebook – ela era ativíssima na rede, ao contrário de mim, que, por preguiça de criar um blog ou atualizar site, cometo menos garatujas por aqui. Noite dessas, Cécil reclamou pelo Face que não queria estar desempregada. Estava com mais de 80 anos, não importa. Quando nos conhecemos no jornal, eu uma garota de vinte e poucos, ela, jornalista experiente que tinha curtido o festival de Woodstock, fazíamos plantão depois do expediente trocando… contos. Nossos, de outros autores. As matérias importavam menos do que aquelas horinhas literárias compartilhadas. Cécil escrevia superbem, tinha contos incríveis e me pedia para dar títulos a eles – algo que eu adorava fazer. Mas ela se sentia insegura para lançar um livro – talvez por ter sido casada com o dramaturgo Gianfrancesco Guarnieri (recém-casados, nesta foto) e, de algum modo, vivido um pouco à sombra do autor de Eles não usam black tie. Era uma mulher livre, elegante, cultíssima e impagável como o filho, o ator Flavio Guarnieri, que hoje também a abraça em outro plano. Flavinho era palhaço e gostava de aprontar com a mãe. Uma vez, no calor das eleições presidenciais, metemos Cécil numa campanha eleitoral pelo Facebook – ela não estava concorrendo a nada, mas ganhou apoio de gente que nem a conhecia. Moleques, todos nós, graças a Deus. Depois de ter vivido um tempo em Salvador, e voltado a morar em São Paulo, prometi inúmeras vezes visitá-la. Flavio dizia que não me atrevesse a marcar nada antes das duas da tarde porque ela teria um compromisso com o travesseiro. Bem, eu nunca fui encontrá-la, nem mesmo de madrugada. Assim como deixei recentemente de rever, também na Bahia, outra colega que admirava, embora menos próxima, a jornalista Dagmar Serpa, a Dag, que se foi há poucos dias, aos 53, e com quem também troquei figurinhas nas editoras Globo e Abril. Faço um juramento: nunca mais deixarei de encontrar ninguém que eu deseje tanto rever. Gostaria de ver os contos de Cécil publicados e (quem sabe, hein Francisco?) sugerir títulos a eles. Os meus permanecem inéditos porque, como Cécil, nem tenho certeza se são bons o suficiente. Se um dia tiver coragem de lançá-los, vou pensar nessa mulher massa, generosa (não esqueço dos vários amigos que morreram de AIDS ajudados por ela), um pouco doida (quem não?), dionisíaca e humana, demasiadamente. Um beijo, Cécil, lembra quando a gente batia ponto no corredor do Estadão? Os nossos cartões estavam sempre atrasados.

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19 de Março, 2019

A fraquejada da imigração

Bolsonaro quis bajular Trump dizendo que a maior parte dos imigrantes não é bem intencionada. Mas se esqueceu de repente da sua origem: uma família de vênetos que desembarcou no Brasil fugindo da pobreza na Itália e, numa fraquejada, teve um descendente chamado Jair.

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19 de Março, 2019

Muro da ignorância

Os Estados Unidos são a história da sua imigração. Tentar agora bajular Trump declarando que os imigrantes não são boas pessoas não é só falta de humanidade e caráter. É desconhecimento brutal da história da formação deste país da América do Norte.

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18 de Março, 2019

Visto lambe-botas

Em viagem aos Estados Unidos, B. beija os pés de Trump e libera visto de visita de americanos ao Brasil. Dispensa também os cidadãos da Austrália, Japão e Canadá. Com isso, expõe os brasileiros como inferiores. Mantém-se fielmente subserviente e sem cobrar nenhuma contrapartida dos beneficiados. Atira no lixo o princípio constitucional da reciprocidade. Assim os brasileiros continuarão a ter que, unilateralmente, apresentar visto, inclusive para férias na Disney. Por aqui, permanece o visto lambe-botas. O subalternismo do presidente é repugnante. Cogita-se que a flexibilização desta abertura venha facilitar o desembarque de armas nos cada vez mais tristes trópicos. Um tiro certeiro no peito da pátria armada.

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07 de Março, 2019

Pornopolítica

Estranho a Damares ainda não ter manifestado a sua solidariedade em torno do tuíte obsceno cometido por B. Talvez esteja sentindo uma ponta de inveja por ele ter tomado o protagonismo que ela já tinha como seu na atual pornografia política.

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25 de Fevereiro, 2019

Dona Rosa Santos Anjos, minha diarista há mais de vinte anos, por quem tenho enorme apreço, hoje me abordou com algum embaraço para perguntar o que era o Oscar. Ela, que acorda às 4h para trabalhar, estava intrigada por que as pessoas vão dormir tão tarde para acompanhar a “premiação” – ela tinha conhecimento de que se tratava de um tipo de premiação. Respondi que era um prêmio para filmes de diversos países, a maior parte concorrente mesmo dos Estados Unidos. E que, neste ano, o que havia ganhado tratava da vida de uma empregada doméstica indígena. Era um filme mexicano. Acho que ela gostou da minha resposta. No final da conversa, me alegrou perceber que nós duas, afinal, acabamos por compartilhar da mesma opinião: “Isso não tem lá muita importância”, eu disse e ela sorriu.

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18 de Fevereiro, 2019

A tática Damares

Não costumo dar ouvidos a teorias conspiratórias, mas estou começando a achar que a manutenção de Damares no cargo para ela inventado, tantas são as suas sandices a cada dia atualizadas, faz parte de uma estratégia para desviar o foco dos escândalos financeiros que de fato interessam e assombram esse tenebroso governo. Não sei dizer se essa “estratégia” é de caso pensado. Mas não se cogita em destituir Damares enquanto ela só incrementa o seu repertório demências – na verdade, mais apropriado classificar de coleção de charlatanices, porque, mais do que doída, a pastora está empenhada em enganar um público que aceita passivamente as suas verdades. Não se pode acusar Damares, a mestra sem diploma, a ministra da família que sequestra filha, por falta de criatividade. Afinal, ela emplacou as falas mais absurdas do início desta gestão até a esse pré-carnaval. Agora ela aconselha pais de meninas a fugir do país. Damares será sempre fonte de inspiração das mais alucinantes tragicomédias brasileiras. Uma anti-musa treslocada. Dure o tempo que durar.

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14 de Fevereiro, 2019

O racismo é considerado crime no Brasil desde 1989 – com muito atraso, por sinal. Por ocasião da aprovação daquela lei, não lembro se alguém chegou a dizer que ela ofenderia a liberdade de expressão, como a deputada Joice Hasselmann (PSL) invoca ao vergonhosamente defender a homofobia. Como se discriminar o negro, ou o homossexual, fosse um direito do cidadão. Já é um absurdo que um projeto que puna a homofobia também tenha demorado tanto para ser apresentado no Brasil. Se for aprovado, contudo, esse novo crime, assim como o de racismo, vai permanecer por muito tempo apenas nas letras da lei. Ainda mais se levarmos em consideração que o alvo de uma possível sentença é ninguém menos do que o atual mandatário do país. Que, aliás, também respondia por racismo.

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11 de Fevereiro, 2019

LinaPostBoechat

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26 de Janeiro, 2019

Foi crime, não acidente. O vale de lágrimas poderia ter sido evitado. Antes da aprovação da licença da barragem da mineradora em Brumadinho, ambientalistas alertaram que a negligência desencadearia uma tragédia em Minas Gerais. O Ibama advertiu que o rompimento era previsível. Como sempre, só a ganância foi ouvida nesse que se apresenta como o país que mais respeita o meio ambiente.

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19 de Janeiro, 2019

Carpe diem

A primeira expressão que me ocorre, se eu fosse legendar essa fotografia, seria aquela tirada de um poema de Horácio: “carpe diem”, que, em uma tradução livre do latim, significa “colha o momento”, ou ainda, “aproveite o dia”. O iluminado José Ricardo Jordani, que saiu para nadar e não voltou mais, fez da sua vida uma tradução dessa ideia.
Dono de uma beleza rara na juventude, e de uma cultura e humor inspiradores desde sempre, José nos deixou na quinta-feira, às margens do Jacaré Pepira, o mais conhecido rio da cidade de Brotas. Foi lá que ele nasceu, para depois correr o mundo, encantar pessoas de todos os cantos e voltar. Ao que parece, José estava mesmo de volta, vivendo entre a sua aldeia natal e São Paulo, onde por muitos anos manteve o seu próprio negócio. Era, por assim dizer, um hedonista, no que a palavra contém de mais positivo. Talvez tivesse a consciência de que, por ser breve a existência, deveríamos apenas nos concentrar em, idealmente, ser felizes e fazer os outros felizes.
Eu tive a felicidade de me despedir dele na última festa do Dia de Reis, participando de um inesquecível cortejo puxado por sua irmã, Celia Maria Jordani, bem na porta de sua casa, cujo quintal se abre para esse mesmo transbordante e interrogável rio em que tanto nos banhamos. Cantamos e nos abraçamos todos. ”Oh Deus salve o oratório, onde Deus fez a morada, oiá, meu Deus…”: “Cálix Bento”, de Milton Nascimento, era uma das músicas cantadas. Ele, sua mãe, dona Ermínia, de 93 anos, uma fortaleza suave, e os outros irmãos Antonio Carlos Jordani e Mila Jordani nos convidaram para entrar. Continuamos cantando, emocionados, numa noite especial que talvez presentíssemos como uma despedida do anjo renascentista. Adeus, Zé Ricardo. Melhor, até breve. Por aqui, você só deixou bondade, prazeres, gentilezas e alegrias.

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16 de Janeiro, 2019

Depois de comprovar a sua efetiva necessidade, conquistei a posse de um liquidificador em casa. Agora aguardo ansiosamente a liberação do porte do utensílio para me proteger nas ruas.

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30 de Dezembro, 2018

2018 acaba assim, com uma imagem improvável tempos atrás: uma pilha de revistas Veja para ser distribuída gratuitamente num restaurante por quilo. Quando terminei a faculdade, meu sonho era trabalhar naquela revista — o que realizei depois de fazer o curso Abril para jornalistas recém-formados. Hoje, com a editora envolta num escândalo judicial pelo não pagamento dos direitos de mais de 800 funcionários demitidos, algumas publicações sobrevivem. Como a Veja, ainda a de maior circulação do país e, nesta edição, com a ilustração de um presidente eleito de idade mental de 13 anos na capa. 2018 foi o ano da imprensa destroçada e da consagração das fake news. Termina assim, com quase nenhum cliente querendo levar para a casa a revista de graça, nem mesmo como aperitivo indigesto antes da ceia.

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27 de novembro, 2018

Primeira gafe

Estamos bem de primeira-dama. Na sua primeira entrevista, ou melhor, primeira gafe, diz que o futuro presidente não é “misógino” porque “se casou com filha de nordestino”. Depois justifica o festival de besteiras proferida pelo capitão, afirmando que ele, seu “príncipe” de 63 anos, ainda está “amadurecendo”. Ela “ora todos os dias” para ele melhorar. Se não resolver na base da reza, culto evangélico ou ebó, quem sabe algum dia recorra à cartilha bélica prezada pelo marido. Vão sobrar tiros — de ignorância e machismo — para tudo que é lado.

Publicado em: https://web.facebook.com/lina.dealbuquerque/posts/10215591025506965


15 de Novembro, 2018

Lindas palavras

A linguagem não é tudo. Mas não há como negar que todas as ações começam por ela. Por isso ainda parece importante escolher, se não as certas, pelo menos as palavras mais razoáveis para entender tão estranho momento. O que é razoável? O autointitulado filósofo Olavo de Carvalho, guru do presidente eleito, faz uso recorrente de certas expressões que nem valem a pena ser aqui reproduzidas. São vexatórias demais. Os que pensam diferente, ele chama de “canalha”, “imbecil” e, claro, “idiota”. Vamos deixar de lado a forma e ficar só no conteúdo. Merece ser conhecido um pouco do pensamento vivo do autor desta singela obra que o ex-capitão escolheu para chamar de sua: “O mínimo que você precisa saber para não ser um idiota”. Na última Carta Capital, Fred Melo Paiva realizou talvez a melhor entrevista já oferecida pela esperteza que é esse ideólogo da chamada “nova velha extrema direita”. Afinal, deve-se a ele a sugestão do futuro comandante do Itamaraty, desde já um campo minado para mister B. Para quem não a leu, e ainda estiver por aqui, com os olhos nesse textão, eis alguns trechos da exclusiva classificada pelo jornalista como verdadeiro “colírio alucinógeno”. Algumas das gotas:

Modéstia:

“Me ofereceram os cargos de ministro da Educação e da Cultura. Não aceitei. Mas se fosse embaixador, conseguiria negociar bons acordos para o Brasil. Tenho uma perspectiva geopolítica mais ampla e tenho o que conversar com Donald Trump. Tem coisas que entendo e o Steve Bannon (ex-assessor de Trump e principal estrategista da direita mundial) não entende. Estou estudando isso há mais de 20 anos, porra.”

Wladimir Herzog:

“Sabe o que o Herzog era? Um agente do serviço secreto inglês, isso foi contado pelo próprio cônsul da Inglaterra ao governador de São Paulo, Paulo Egydio Martins. Então, quem matou Herzog? O serviço secreto inglês.”

Kit gay:

“Não venha me dizer que esse negócio de kit gay nunca existiu. Isso é coisa do Haddad, um mentiroso compulsivo que incentiva o incesto. Isso está nos planos da Escola de Frankfurt desde 1940, defendem até a relação incestuosa entre mãe e filho como meio de derrubar o capitalismo”.

Tiros para todos os lados:

“Lênin acabou com a delinquência juvenil na Rússia matando todos. Isso não é um bom método?

Folha e Carta Capital:

“A Folha, de tão mentirosa, vende menos que na década de 50, vai acabar essa porcaria. E a Carta Capital que se cuide também. Vocês têm que tomar consciência, porra. Vocês estão melhorando, deveriam ter me ouvido antes. Teriam poupado muita vergonha que passaram”.

Ai, vergonha.

Publicado em: https://web.facebook.com/lina.dealbuquerque/posts/10215502832062184


08 de novembro, 2018

Amor à prova de bala

Conheci a jornalista Regina Lemos numa festa de aniversário da diretora de arte Mirian Bertoldi. Parecia uma pessoa movida à paixão, a despeito da expressão gasta. Regina, ao lado da sua amiga Monica Serino, era uma das criadoras da Marie Claire brasileira, revista para a qual eu colaborava e que mais tarde me tornaria editora de reportagem. Ela tinha acabado de perder marido, o publicitário Antônio Valério, baleado ao apartar uma briga entre dois jovens. Lembro que Regina contou que estava engajada numa campanha pelo desarmamento de âmbito nacional. Era clara e tocante sua tentativa de lidar com a dor pela perda do companheiro muitos anos mais jovem. Pouco tempo depois, já à frente de outro projeto que teve curta duração, a revista Mais Vida, Regina morreu num acidente da TAM. Tinha 46 anos. Foi pensando nela, nos seus olhos brilhantes e cheios de amor, que um dia decidi entregar o revólver do meu pai para ser incinerado pela Polícia Federal. A espingarda que meu avô usava para caçar, também doada ao primo Marcelo de Albuquerque Felizola, virou enfeite de parede. Nunca me interessei em ter porte de estilingue. O que ganhei de meu irmão está encostado num canto qualquer da casinha que hoje mantenho em Brotas. A casa pequena contrasta com um imenso quintal visitado por casais de araras e bem-te-vis solitários. Prefiro continuar acreditando que o amor é à prova de balas.

Publicado em: https://web.facebook.com/lina.dealbuquerque/posts/10215455324874534


10 de Outubro, 2018

O meu primeiro trabalho como jornalista foi fazer resenhas de filmes B na Veja. Os filmes melhores, claro, ficavam a cargo do editor. Por volta daquela época, para compensar a minha quase ignorância em matéria de cinema, eu me obrigava a assistir e estudar clássicos, como este de Bergman, que nunca saiu de minha cabeça. Mais do que nunca, aquele “O ovo da serpente” faz sentido no desolador cenário brasileiro. Focado na Alemanha pré-nazista, ele toca no sentimento de ódio coletivo, preconceito e ressentimento que alimentou a construção de um ditador. Por trás das inacreditáveis cenas de incitação a violência que tenho acompanhado, pelos noticiários e aqui da minha bolha, noto o desenvolvimento da cobra, cujo veneno ainda pode ser interrompido. Não será tarefa fácil. Valores como amor e respeito ao próximo precisam ser revistos, sem armamentos ou gritaria. “Speak low”, como canta Billie Holiday.

Publicado em: https://web.facebook.com/lina.dealbuquerque/posts/10215248595586431


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